sábado, 7 de fevereiro de 2026

 

Genealogia - Fontes de pesquisas na Itália

 

Antenati - Gli Archivi per la Ricerca AnagraficaPromovida e organizada pela Direção-Geral dos Arquivos de Estado disponibiliza enorme patrimônio documental existente para a realização de pesquisas genealógicas, visando a reconstrução da história das famílias e das pessoas, mas também para a história social em geral. Através do portal é possível navegar por milhões de vídeos e milhões de imagens do registo civil, estado civil, encontrar os nomes das pessoas presentes nos atos, obter informações sobre as fontes dos 26 Arquivos de Estado italianos.

Comuni italiani - Lista de cidades italianas por Região e por Províncias, principais cidades italianas, lista CAP, prefixos telefônicos e estatísticas dentre outras informações.

 

Familia Austria - Banco de dados de matrimônios na Áustria. Inclui pesquisas em Bolzano - Trentino-Alto Adige (Tirol).

 

Fonti per ricerche genealogiche nella provincia di Reggio Calabria - Informações sobre nascimentos, batismos, casamentos e óbitos da Provincia di Reggio Calabria. 

 

GANINO - Cognomi Italiani - Difusão e origem de sobrenomes italianos.

 

GeneaIndex - Possibilita pesquisa on-line de óbitos e sepulturas por região na Itália.

 

Gens.labo.net - Além de informações sobre origem, etimologia, curiosidades e pesquisas genealógicas, ao informar o "cognome" é mostrado através de um mapa colorido em que regiões o sobrenome está presente.

 

Italian Names - Site inteiramente dedicado a nomes italianos, nomes de crianças e sobrenomes. Possui uma lista com os 20 sobrenomes mais comuns na Itália e também os 7 nomes+sobrenomes mais comuns.

 

Italia in dettaglio - Possui informações de todas as regiões, províncias, comunes e "frazioni" italianas dentre outras informações.

 

L'origine dei cognomi italiani storia ed etimologia - Difusão e origem de sobrenomes italianos.

 

Mondo Trentino - Serviço de imigração e solidariedade internacional. Desenvolve atividades diversas de união da comunidade trentina no exterior e de consultoria aos imigrantes, desenvolve ainda atividades sociais, culturais, educacionais e de informação. Organiza e administra os concursos para bolsas de estudos reservadas aos descendentes de imigrantes trentinos para cursos de graduação, pós-graduação, doutorado e cursos de formação e ainda realiza ações para o desenvolvimento da comunidade trentina em dificuldade.

 

Nati in Trentino - No ano de 1815, após o Tratado de Viena, o Trentino foi anexado ao condado do Tirol. Daquele ano e até depois da Grande Guerra – para ser mais exato, até 31 de dezembro de 1923 –, os registros de nascimento foram conservados junto às Paróquias, as quais  também funcionavam como  cartório. Muitos livros perderam-se, mas os que restaram foram microfilmados, na metade dos anos oitenta, para facilitar a consulta. Agora, os dados de cada pessoa (cerca de 1,28 milhões) foram compilados, através de trabalho que levou diversos anos, num “Índice” que  foram colocados à disposição dos estudiosos e daqueles que queiram reconstruir a história da própria família. 

Pagine Bianche - Lista telefônica on-line da Itália. É possível fazer pesquisas por nome, número de telefone ou por endereço.

 

Pacentro Genealogy -  O site oferece pesquisas exclusivas de sobrenomes de famílias da comune de Pacentro - Provincia dell'Aquila - Abruzzo.


Sardegna in dettaglio - Site sobre a região da Sardegna possui informações sobre suas 9 províncias.

 

Storia dei Comuni - Informações sobre divisão administrativa da Itália.

 

Venarbol - Pesquisas genealógicas no Comune di Borso - Provincia di Treviso - Veneto. Consulta on-line dos batismos, matrimônios e óbitos registrados na Parrocchia San Zenone di Borso; árvore genealógica dos sobrenomes Vedovotto, Guadagnin, Gollin, Andreatta dentre outras pesquisas.

 

 

 

Dante Alighieri

Dante Alighieri – Wikipédia, a enciclopédia livre 

Dante Alighieri nasceu em Florença, em maio de 1265, de dona Bella e de Aldighiero Alighieri. De família nobre e abastada, dedicou-se desde cedo aos estudos, sendo que o célebre Brunetto Latini foi um de seus mestres.  Estudou letras e ciências, não se descuidando do desenho e da música. Mais tarde aplicou-se também à teologia. 

Moço ainda, Dante participou da vida política da sua cidade.  Em 1289, os exilados florentinos, juntando-se aos outros gibelinos de Toscana, tentaram invadir a República. O exército florentino deu-lhes batalha em Campaldino no dia 11 de junho de 1289, conseguindo derrota-los. Dante participou destas operações militares, combatendo na cavalaria. Pouco depois, participou também do assédio ao castelo de Caprona

Sendo necessário, para conseguir cargos da República, pertencer a uma corporação, Dante se inscreveu na dos médicos e farmacêuticos, que era a sexta entre as assim chamadas Artes Maiores.  Sua atuação na vida pública foi brilhante. Conforme diz Boccaccio, em Florença não se tomava nenhuma deliberação sem que ele desse a sua opinião. Várias vezes foi embaixador da República, várias vezes pertenceu ao Conselho do Estado, e, finalmente, em 1300, obteve o cargo de “priore”, que era a suprema magistratura política de Florença.

Conforme ele mesmo diz, numa de suas cartas, as suas desgraças se originaram da sua eleição ao priorado. A cidade de Florença era dividida em dois partidos: os Brancos e os Pretos, que determinavam frequentes conflitos, disso resultando que os priores, entre os quais Dante, resolvessem exilar alguns entre os cabeças, pertencentes às mais ilustres famílias de Florença

Os pretos, porém, encontraram uma ocasião propícia para obter o mando na cidade e oprimir os seus inimigos. Aproveitando-se da passagem por Florença de Carlos de Valois, irmão do rei da França, em viagem para Roma, conseguiram convencê-lo e convencer ao Papa Bonifácio VIII, de que os brancos eram inimigos da Casa de França e da Cúria Romana. Os notáveis da cidade enviaram embaixadores ao Papa, e entre eles,  Dante, para dissuadi-lo do intuito de entregar a cidade à parte mais facciosa. Bonifácio, porém, manteve os embaixadores florentinos na expectativa, enquanto Carlos de Valois empossava os Pretos no mando de Florença, resultando daí um período de violências e saqueios. 

Maldizendo a perfídia da Cúria Romana, partiu Dante de Roma para voltar para a Toscana. Chegando, porém, nas proximidades de Florença, soube que os seus inimigos, acusando-o de ser gibelino, e, ainda, de ter-se aproveitado do dinheiro público, o tinham condenado ao exílio, e a pagar uma pesada multa e que as suas possessões haviam sido depredadas. Começou, então, para Dante, a vida dura do exilado e do perseguido que conhece 

... come as di sale

Lo pane altrui e come è duro calle

Lo scendre e l’salir per l’altrui scale. 

Mudando frequentemente de cidade, servindo a vários senhores, viveu  Dante os últimos anos de sua vida. Morreu, com a idade de 56 anos, em Ravena a 14 de setembro de 1321. 

A obra poética de Dante se prende, na máxima parte, ao seu amor puramente espiritual por Beatriz de Folco Portinari. Dante conheceu Beatriz, quando ele tinha nove anos e Beatriz oito. Tornou a vê-la depois de 9 anos, e, mais tarde, outras poucas vezes, pois Beatriz casou-se, e morreu em 1290. Embora, também, Dante se cassasse em 1291 com Gemma Donati e com ela tivesse vários filhos, o amor por Beatriz  constantemente inspirou a sua poesia. A maior parte das canções, dos sonetos e das baladas que  constituem o “Canzoniere” são dedicados à sua amada; a Vida Nova é uma história dos seus amores com Beatriz; a Divina Comédia, o sublime poema que talvez a humanidade nunca verá superado, prende-se também a seu amor por Beatriz, bem como ao desejo de vingar-se de seus inimigos e de expor as suas idéias políticas. 

Além dessas obras, escreveu o Convite, compêndio da filosofia do seu tempo, exposta eloquentemente sob a forma de comento a três das suas canções; o De monarquia, tratado político; o De vulgari eloquentia, tratado filológico, deixado incompleto.

 

Fonte: Bibiografia de Dante Alighieri - livro A Divina Comédia Humana - eBooksBrasil

           Este livro pode ser baixado no site Domínio Público

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Panzanella, um breve relato sobre a sua origem e história.



Não dá para começar a falar sobre a história deste prato sem lembrar o seu berço, sua região de origem. Melhor! Vou falar um pouco sobre a “minha” relação com a Itália.

Desde garoto eu sempre admirei o amor, a paixão e o entusiasmo pela comida, pela família e pela vida que todo italiano possui, não importando sua origem, ou quão rico ou pobre possa ser. Eu sempre começo meus relatos falando sobre isso. Meus pais e avós me ensinaram a valorizar todos os momentos com a família ao redor de uma boa e farta mesa. E é isso, sob o meu ponto de vista, que é apaixonante nos costumes do povo italiano.

A Itália é um país cheio de regionalismos... ou melhor, não sei bem se esse termo existe ou se pode ser usado, mas vou me permitir esse sacrilégio com a língua portuguesa pois, só assim me farei entender. A Itália é um país cheio de “vilarismos”! É isso mesmo... É comum ouvir e ver as calorosas discussões sobre a origem e “paternidade” de um determinado prato. E mais... Também é comum presenciar discussões sobre quem o faz da melhor maneira.

Assim é a Itália... um país que uniu a pouco mais de 150 anos mais de 20 regiões distintas, mas que eram unidas por uma cultura regional e hábitos únicos no planeta. Porém, para nossa alegria, toda essa cultura se espalhou pelo mundo. Em especial para cá, para o “nosso” Brasil.

Quem não tem sua origem familiar na velha bota tem, ao menos, algum conhecido ou vizinho ou amigo com fortes ligações com este país. Daí, importamos a boa e velha mania dos italianos... Discutir sobre origens e maneiras de preparar seus tesouros gastronômicos.

Aqui no Brasil temos duas vertentes sobre a colonização italiana. O povo que veio para cá e ficou na região de São Paulo e o povo, desbravador e pioneiro que seguiu viagem para o sul do nosso país. Os meus parentes, particularmente, ficaram por aqui vindos da Sicilia. E fazem parte da historia da colonização paulista. Das torrefações de café, das produções de embutidos, e até do vinho. Aqui sua cozinha é a que conhecemos bem! Massas dos mais variados cortes, molhos de preparo rebuscado e metódico, pizzas com recheios super variados, antepastos, Mooca, Festa de San Genaro, Nsa. Achiropitta, etc, etc, etc...

Para o sul do país, foram os italianos colonizadores, responsáveis pela garantia da fixação das nossas fronteiras. Esse povo trouxe consigo uma gastronomia italiana diferente, mais rural e rica em subjetividades. Uma gastronomia diferente da que foi difundida mundo a fora. E este tema me interessou muito. Fazendo com que eu fosse buscar suas origens históricas e culturais.

Foi então, a partir deste ponto, que eu comecei minhas pesquisas. E, apesar de ser um “oriundi siciliano”, fui buscar na região central da Itália (Abruzzo, Marche, Úmbria, Toscana) minha primeira fonte de pesquisa.

Há uma palavra que define a cozinha do centro da Itália: SIMPLICIDADE.  A região guarda o segredo de uma cozinha popular, de origem camponesa, com muitos traços comuns. Marcada pelo uso abundante do azeite de oliva e das ervas aromáticas frescas e especiarias (basilico (manjericão), hortelã, alecrim, sálvia, erva-doce) com as quais combinam, em maior ou menor medida, alho e pimentas.

Aqui, neste ambiente rico de novidades e inspiração, descobri a Panzanella. Prato que me dou o direito de chamar de “meu” hoje em dia... pois, como bom neto de italiano, e cheio da razão dos pesquisadores, produzo da melhor maneira possível sempre!  A Panzanella traduz de maneira simples tudo o que a cultura daquela terra pode oferecer para o mundo... Pensando assim, posso considerá-la a embaixadora regional da Toscana.


Em minha pesquisa encontrei uma infinidade de formas de preparar este prato. Mas quando vamos a fundo percebemos que esta que eu apresento é a mais coerente em relação aos ingredientes utilizados. Todos de produção local... sem influências de produtos de outras regiões.  Para que isso fique claro vamos nos transportar até a região e a época da minha pesquisa... Estou falando de algo em torno de 100 ou 150 anos atrás.


A Itália passava por uma crise velada e que graças ao Sr. Garibaldi, (Esse mesmo que você está pensando e que também passou por terras tupiniquins! Lembra dele?) unificou-se e tornou-se o que conhecemos hoje. Esta crise traz como conseqüência, problemas financeiros das mais diversas ordens. E isso está diretamente relacionado aos hábitos alimentares das famílias. Falo sobre uma região que, de certa maneira, em função da crise, ficou isolada e teve que subsistir apenas com produtos locais. Produzidos, claro, ali mesmo, em cada uma das propriedades, e de fácil armazenamento. Azeite, pão, parmesão, tomates, basilico (manjericão), pimentas.

E esta é a cena onde este, agora “nosso” prato foi criado. Assim como outros grandes ícones da gastronomia, foi construído a partir da necessidade humana de subsistir.


Daí, concluo que não é possível dar um “Pai” ou uma “Mãe” para esse prato. Ele é sim fruto de um contexto, de uma situação. Lógico que alguma pessoa o criou, talvez até de maneira diferente desta que eu apresento. Mas isso se perdeu no tempo e hoje é patrimônio publico. Nessa mesma linha eu posso citar o Ratatoille da França e a nossa boa e velha feijoada. Alguém sabe e pode me dizer o nome do autor destas receitas?

Espero que este texto possa abrir caminho para discussões inflamadas a respeito da origem das “comidas” de varias outras regiões da Itália e até do mundo. É assim que eu penso e é esta a razão que faz com que as coisas evoluam. O processo de criação de um bom Chef deve passar, invariavelmente, pela história da formação de povos e países. Dessa forma fica mais fácil entender nosso mundo e nossas predileções e é por isso que anuncio que em outubro, eu e a Mi Piace! Tours – Events vamos levar um grupo de 16 felizardos para a Itália.

Vamos em busca do que existe de melhor na Gastronomia Italiana. Nessa viagem veremos de perto como e onde são produzidos os melhores presuntos, queijos e vinhos. Vamos participar, com total exclusividade, do ritual da “Caça ao Tartufo Bianco” acompanhados de um dos maiores especialistas do assunto.

O Chef Alex Caputo foi criado em meio as panelas e fogões e direcionou sua vida à gastronomia, sempre focando a sua atenção e estudos na autêntica gastronomia Italiana.
Durante a sua trajetória, participou de diversos programas de TV, revistas e rádio e recebeu o titulo de “Chef do Ano 2012” pela Soberana Ordem do Mérito da Gastronomia da Academia Brasileira de Honrarias ao Mérito e o titulo de “Cidadão Cilentano” oferecido pela Comune de Santa Maria de Castellabate/Itália em 2011.
Atualmente é membro da WACS - (World Association of Chefs Societies) e além de organizar grandes banquetes por todo Brasil e ministrar aulas nas principais escolas de gastronomia de São Paulo, como a Spicy e o Atelier Gormand.




Reserve sua vaga:
Email: contato@caminhosdaitalia.com.br


PANZANELLA - Receita típica da região da Toscana

PANZANELLA
Receita típica da região da Toscana
 

Ingredientes:
- 1 pão italiano (amanhecidos)
- 300g de tomates bem maduros (cortado em cubos pequenos)
- 1 maço de manjericão
- 1 pimenta fresca
- 1 pimentão vermelho (sem pele e sementes)
- 1 pimentão amarelo (sem pele e sementes)
- Sal à gosto
- 1 cebola roxa cortada em fatias finas
- 250ml de azeite extra-virgem (da melhor qualidade que você encontrar)
- 150g de queijo parmesão ralado

Modo de preparo:
Rasgue os pães em pedaços pequenos, tempere com azeite, sal e pimenta e leve ao forno por alguns minutos, torrando levemente.Reserve em uma tigela grande.Em outro recipiente, acrescente os cubos de tomate fresco, as folhas do manjericão, o pimentão vermelho e amarelo, cortados em tiras, a cebola roxa e a pimenta fresca, sem as sementes, cortada finamente. Tempere com o sal, queijo e o azeite. Reserve por 10 minutos. Após, adicione o molho ao pão picado e misture com suavidade.
Decore com uma flor de manjericão ou um galho de alecrim e sirva.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sabores da Itália no Natal

sabores_da_Italia_no_Natal


De norte ao sul as delícias a serem aprecidas no dia do advento (1)...
Na época natalina são preparados doces  caseiros, artesanais  e industriais que acompanham as famílias italianas durante todas as festividades natalinas, e na qual a Itália possui uma vasta gama com uma ampla diferenciação por região, províncias e por fim comunes.  Basta dizer que o mesmo doce pode ter um nome diferente de um lugar para outro.

Vale a pena conhecer  essas deliciosas tradições por região:
sabores_da_Italia_no_Natal-“Buchteln”

Na Itália e precisamente  em Trentino Alto Adige  existe uma variedade muito grande de doces;  como  o  pão doce recheado com vários ingredientes, chamado de “Zelten” (que possui uma diferença entre o trentino e o altoatesino (proveniente do Alto Adige), o primeiro é mais simples contendo mais massa do que frutas secas),  o “Buchteln”, pão doce recheado com geleia, coberto com açúcar e baunilha.

Existem também os biscoitos, de origem alemã, típicos  do altoatesino(proveniente do Alto Adige) como o “lo Spitzbuben” e o “Lebkuchen”, no formato de NiKolaus e Krampus(3) (personagens típicos da tradição natalina alemã). Muitas vezes recheado de geléia e nozes.

Ainda no norte da Itália, não se pode deixar de mencionar o ancestral do panetone,  “il Mecoulin”, típico de Val D’aosta: um pão doce recheado com uvas passas.

Descendo encontramos doces de maior difusão que superam o caráter regional como, no Veneto, o “Pandoro di Verona”, ou, na Lombardia, o Panetone de origem milanesa (com a sua variante dita Veneziana, similar a um panetone mas sem uvas secas e confeitos)
O "Crescenzin" do Piemonte, pão preto enriquecido com manteiga, açúcar, uvas passas, nozes e mel, a algumas vezes figos secos.
sabores_da_Italia_no_natal_“Pandoro di Verona”


Descendo mais um pouco encontramos na Liguria o “Pandolce genovese”, que apresenta diversas variações como aquela da comune de Campomorone (dita Panmorone) com farinha de castanhas; o “Certosino” ou “Panspeziale” de Bologna, antigamente produzidos pelos farmacêuticos, na época chamados especiais, e depois dos frades de Certosino.

Na Emilia Romagna existe também o "Pampepato", típico de Ferrara, composto segundo a tradição de vários alimentos, com predominância do chocolate fundido, seja na massa como na cobertura externa, todavia nozes, amêndoas, canela e pimenta fazem parte dos sabores de base; existe também o "Pampepato" di origem ternana (Umbria) que se acrescenta a receita o “pinoli”.

A Toscana ao invés é a pátria do “Panforte”, de origem senese (Siena), composta de frutas cristalizadas, mel, açúcar e especiarias; mas o carro chefe desta região são os “Ricciarelli”; biscoitos macios, de forma oval,  cobertos com açúcar. 
sabores_da_Italia_no_natal_"Ricciarelli"

Prosseguindo em direção ao centro da Itália, encontramos, na Umbria, a “Rocciata di Assisi” doce de mel similar ao conhecido "strudel"; em Abruzzo, e precisamente, em Pescara, tem-se o "Parrozzo",  bom o suficiente para merecer elogios do poeta Gabriele D’AnnunzioAinda nesta região  descobrimos também o “Caggiunitti”: biscoitos recheados fritos.
 Na região de Marche no Natal se saboreia o “Frustingo”:  pão doce a base de farinha integral e frutas secas.

Descendo em direção ao Lazio encontramos o clássico “Pangiallo romano”, que remonta a época imperial, quando se distribuíam estes doces dourados, durante a festa do solstício de inverno, considerava-se de boa sorte para o retorno do sol. O “Pangiallo” possui uma crosta dourada que dá ao doce um brilho característico.
Sempre no Lazio no Natal há também o “Subiachini”, biscoitos utilizados para enfeitar as árvores de natal, e na parte sul da região costuma-se preparar “Zeppole”: pão frito passado no mel quente.
sabores_da_Italia-no_Natal_Pagiallo_romano

A Campania é a pátria dos biscoitos natalícios: nos dias do Advento(1), se pode degustar os “Susamielli”, em forma de “S”, misturado com mel; o mais conhecido o  “Mostaccioli” e o “Struffoli”; “Divinamorea” a base de “pan di spagna” coberto com glacê rosa, cujo nome deriva das freiras enclausuradas do “Divino Amore”; o duríssimo “Roccocò”, nome que deriva da palavra francesa rocaille e que significa concha, devido ao seu formato. No sul encontramos a “Cicirata” da Basilicata, doce composto de bolinhas fritas com mel e açúcar, o macio e amarelo panetone de milho de Molise, o “Turdilli”, pequenos cilindros de massa frita, passadas no mel, e o  “le Susumelle calabrese”, biscoitos cobertos com glacê e chocolate. Ainda na Calabria há também o “Mostaccioli” (na Puglia se chama “Mustazzoli”), biscoitos compostos de farinha, mel, frutas secas, frequentemente cobertos por uma camada de açúcar ou chocolate.
sabores_da_Italia_no_Natal_Struffoli

Indo em direção à Puglia se encontra uma vastíssima tradição de doces natalinos, entre eles o mais famoso é seguramente  o “Cartellate” (em dialeto “carteddate”) que, junto aos “Boconotti”, são originários de Foggia. Se trata de uma finíssima folha de massa composta de farinha, óleo e vinho branco; a massa é unida e envoltra entre si mesma formando uma espécie de rosa que depois é frita em abundante óleo. O nome “Boconotti” deriva do fato que esses doces são tão pequenos que podem ser comidos em uma "bocada" só.

A receita local prevê que os “le Cartellate” sejam embebidos em vinho ou mel, e depois polvilhados com canela, açúcar ou confeitos coloridos. Considerando-se as ilhas: na Sardegna, nesse período, se usa preparar o “Pani’ e saba” ("pan di sapa"), um doce antigo, chamado também de “povere” (pobre) porque originalmente era um simples pão feito com “la saba” (mosto cotto – mosto cozido), mosto é o suco, incluindo as cascas e bagas, produzido a partir do esmagamento da uva, hoje em dia vem enriquecido com diversos produtos locais, em primeiro lugar as frutas secas.

sabores_da_Italia_no_Natal_"le Cartellate"

Na Sicília, ao invés, no dia do Advento(1) é costume preparar e degustar o “Buccellatto”: uma rosca de “pasta frolla” – massa doce para tortas – recheada com figos secos, uva passa, amêndoas, raspas de laranja ou outros ingredientes que variam de acordo com o lugar onde é preparado. 

Entre os doces mais famosos: o Torrone

Seguramente o doce italiano mais difundido é o torrone que apresenta ao longo de toda Itália muitas variedades. 

Os principais tipos de torrones são: duro e macio. 

A variante advém de diversos fatores, começando pelo tempo de cozimento da massa, no caso do torrone duro pode chegar até 12 horas de cozimento, enquanto que o macio não supera 2 horas. 
Existem depois os tipos mandorlati (com amêndoas) e o nocciolati (com avelãs). 

Em Abruzzo é hábito inserir a massa também o chocolate. 
sabores_da_Italia_no_Natal_torrone

As principais cidades produtoras de torrones são Cremona e Benevento, todavia em outras regiões italianas a produção deste doce  é consolidada com diversas variações. 

Entre essas, vale a pena citar outras cidades produtoras como Cologna Veneta, que dá nome ao torrone “mandorlato di Cologna”, Ospedaletto d’Alpinolo, Alvito, Camerino, L’Aquila, Dentecane e Grottaminarda, onde o torrone se apropria do nome latino “cupeta”, Bagnara Calabra, Taurianova (famosa pela deliciosa produção artesanal). Tem-se ainda os torrones macios sardos, de Campidano di Logudoro e Barbagia, particularmente doce devido ao mel utilizado, mas privado de açúcar na massa, o que lhe dá uma cor branca marfim. 

Ainda na Sardegna, é costume adicionar ao torrone raspas de laranja ou de limão, óstias, pinoli e baunilha. 
sabores_da_Italia_no_Natal_croccante

Outra ilha, outra variante: si trata da “Cubaita”, o clássico torrone siciliano, produzido em Messina, enriquecido com pistache, mel e amêndoas, para um sabor único e cores vivas, em alguns casos mistura-se também gergelim. Existe também a variação mais moderna do torrone clássico, recoberto com chocolate e rechados com avelãs. 

Citemos enfim o “Croccante”, doce natalino, porém vendido ao longo do ano, especialmente em feiras e festividades: se trata de amêndoas ou avelãs picadas, cobertas com calda de açúcar. 


(1) Dia do Advento - (do latim Adventus: "chegada", do verbo Advenire: "chegar a") é o primeiro tempo do Ano Litúrgico, o qual antecede o Natal. Para os cristãos, é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, onde os fiéis, esperando o Nascimento de Jesus Cristo, vivem o arrependimento e promovem a fraternidade e a Paz. No calendário religioso este tempo corresponde às quatro semanas que antecedem o Natal.